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Profa. Ângela |
CRIMET |
08-02-07 |
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Primeiro dia de aula. Manhã de
uma terça-feira, 01 de março de 1960. O local onde a escola funcionava era um galpão de madeira, e seu nome era Grupo Escolar do Bairro da Previdência, hoje Escola Estadual Professora M. Kirillus. Minha primeira
professora chamava-se Dna. Maria de Lurdes. Era uma senhora sexagenária, com o rosto cheio de rugas e com uma verruga próxima ao nariz. Ela usava uma cartilha com o nome de Caminho Suave. Eu me sentia bem perdido pelo caminho. Quando devo usar o "S" e quando devo usar o "Z"? Tive muita
dificuldade para aprender a ler e a escrever. Tudo aquilo parecia uma tortura e não era nada suave. Sentia que a professora me odiava e eu amava a hora que o sino tocava, isto significava minha liberdade. Tive muitos problemas na aprendizagem primária. Mais tarde, já adulto, fui
diagnosticado como disléxico . Na época as
professoras eram despreparadas para reconhecer meu problema e por
isso eu fui tachado pela Dna. Maria de Lurdes de “burro”,
“idiota” e outros adjetivos nessa linha. Minha
professora, gostava de usar métodos educacionais
persuasivos muito doloridos, como: “reguadas”, puxões
de orelhas e outros recursos pedagógicos de impacto. O que mais me marcou foi no dia em
que ela preenchia publicamente um cadastro com os dados dos alunos. No item religião ela me perguntou: "qual a sua religião?", eu não
sabia o que responder, pois eu não sendo “católico”
dizia que era “crente” e ela retrucava dizendo:
"ser crente não é uma religião". Ao invés dela
simplificar a vida de um garoto de 7 anos e lançar
qualquer coisa no campo da religião, já que eu e ela
desconhecíamos o termo protestante, resolveu me humilhar e disse: “
- ... você é crente na sua burrice”. A classe
toda caiu na risada e eu, com vontade de chorar, senti desejo de
sumir da escola. Esse foi o desejo, que acompanhou-me durante o período da minha
educação primária. Silvio Bonilha |
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