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Formação continuada – Discutir o tema.
Enquanto no passado - há 30 anos, por exemplo -, um
recém-formado na universidade era considerado um
profissional pronto e tinha praticamente vaga garantida nas áreas
de trabalho, hoje o cenário é bem diferente. Se não
houver atualização constante - seja por cursos em
universidades, instituições ou outras entidades de
ensino ou mesmo a partir processos autodidatas -, corre-se o
risco de ficar defasado e não ser mais considerado
"adequado" pelo o mercado de trabalho.
Este
processo de mudança não ocorreu de uma hora para
outra. As exigências do mercado e a adaptação
das universidades começaram lentamente na década de
1980 e explodiram nos anos 1990. "Em um certo sentido,
podemos dizer que isso aconteceu na medida em que a Internet se
tornou um movimento mais forte", afirma o pró-reitor
de Graduação da UFMG (Universidade Federal de Minas
Gerais), Mauro Braga. A Internet, segundo ele, acelerou a
acumulação e a produção de
conhecimento, fazendo com que a capacidade dos profissionais
fosse muito mais exigida.
Outros dois fatores que
colaboraram com esse quadro foram o aumento da escolarização
e a mudança no perfil do mundo do trabalho. A medida
em que há mais pessoas se formando no Ensino Médio,
há uma demanda maior pelo Ensino Superior e,
conseqüentemente, pela educação continuada. A
sociedade vive na era da informação, na qual os
trabalhos que usavam a força física para serem
feitos são substituídos por tarefas que exigem
informação técnica e abstrata, ou seja, que
exigem a capacidade de construir o próprio
conhecimento.
Para suprir a necessidade do mercado, as
instituições de ensino superior criaram diversos
cursos de pós-graduação, especializações
ou extensões, seja para quem pretende seguir carreira
acadêmica, ou para quem busca aprimorar conhecimentos a
serem empregados em uma determinada área de atuação
profissional. Para a gerente de divisão da área de
Recrutamento e Seleção de Executivos da Gelre, Vera
Modolo, o interesse das universidades não é apenas
acadêmico, é comercial.
O diretor de
Educação Continuada e a Distância da Umesp
(Universidade Metodista de São Paulo), Luciano Sathler,
discorda de Vera, alegando que a universidade apenas acompanha as
mudanças no mundo. Mesmo assim, critica o trabalho
executado pelas instituições nacionais: "A
universidade está atrasada, sem conseguir acompanhar o
ritmo de formação que o mundo está
precisando. Precisa estar atenta para não ficar atrás
no processo de transformação da
sociedade".
Overqualified
Ter
excesso de qualificações, quando a pessoa acaba
sendo taxada de overqualified, pode restringir as
oportunidades do profissional dentro de um campo de trabalho
restrito, já que, no médio prazo, ele pode se
desmotivar com a falta de desafios. "Lógico que se
houver um plano de carreira ou se a empresa tiver condições
de olhar para o futuro, pode usar isso como uma etapa e
desencadear todo um processo de desenvolvimento", ressalta a
gerente da Gelre.
O mercado valoriza cursos de
pós-graduação, mas não é o
principal diferencial dentro do processo seletivo. Vera explica
que há três fatores básicos que pesam na hora
da escolha: "O perfil pessoal em relação ao
que é exigido; a formação e suas
complementações; e toda a experiência dentro
da área visada".
Cada vez mais, o mercado
requer iniciativa, criatividade, capacidade de trabalhar em grupo
e exige que o profissional seja sintonizado com o mundo e os
interesses da população. "Isso tudo deve
acontecer junto ao contínuo domínio do
conhecimento, cada vez mais diversificado e capaz de interferir
na vida das pessoas", declara o pró-reitor da
UFMG.
Futuro
Se hoje a concorrência é
tão grande e exige-se cada vez mais especialização
por parte dos profissionais, como será o cenário no
futuro? Para Braga, a mudança pela qual passamos será
maximizada para a próxima geração. E o
processo atinge desde a educação básica até
a educação continuada. "As pessoas vão
ter que se atualizar continuamente e, portanto, as universidades
terão que criar projetos de formação para
esse público".
Não basta mais apenas
o(s) diploma(s) na parede. A experiência pessoal e
profissional é a grande diferença entre a
concorrência no mercado de trabalho. Além disso,
Sathler indica um elemento que é distintivo para próxima
geração: "O grande diferencial do profissional
do futuro, em termos de educação continuada, é
aquele que sabe transformar informação em
conhecimento", aposta.
Deixar os estudos de lado
significa parar no tempo e, como conseqüência, perder
espaço no acirrado mundo do trabalho. "Os jovens
têm que compreender que hoje não existe profissional
pronto. Ele se faz ao longo de todo seu exercício de
carreira, toda sua vida útil. Ele tem que estar preparado
para jamais deixar de estudar", finaliza Braga.
"Formação continuada
não é o remédio para tudo", afirma
educadora
Quando
o assunto é a baixa qualidade do ensino no Brasil, o que
não faltam são teorias para explicar o motivo. Uma
delas, defendida pelo próprio governo, aponta os
professores como principais culpados.
Bianca
(2) em seu artigo sobre Educação continuada.
Desde
o início dos anos 80 foi se definindo uma tendência:
a de que a má formação dos professores é
o motivo da baixa qualidade do ensino no país", disse
a professora da Faculdade de Educação da USP,
Denise Trento, em palestra realizada durante a 3 Semana de
Educação. Essa afirmação é
fruto de um estudo realizado pela professora dos programas
educacionais aplicados no estado de São Paulo de 1982 a
1993.
Para
o governo, a solução para resolver esse problema
seria a formação continuada de professores, que não
estariam preparados para ensinar. Segundo Trento, apontar a
incompetência do professor como principal causa é
ter uma visão simplista do problema. "A formação
inicial do professor não é a única causa
responsável pelos resultados. Uma abordagem mais crítica
leva em conta as condições em que os professores
dão aula, pontos que não são vistos pelas
autoridades, pois levam a questões maiores",
argumenta.
O
discurso da incompetência usado pelas autoridades, como foi
definido pela professora, não ajuda a resolver o problema.
"Alguns educadores acreditam que o problema do ensino está
nas suas ações. Mas a escola é a entidade
que precisa ser melhorada, não apenas o professor",
afirma Denise.
Melhorar
a qualidade da educação no país pode estar
em algo nunca tentado até agora: a formação
de grupos compostos por pais, alunos e professores que juntos
visassem melhorar a escola. Uma participação mais
ativa daqueles que sentem na pele a deficiência do ensino,
pode ser uma maneira de mudar a visão equivocada das
autoridades em relação ao trabalho dos professores,
acredita Trento.
O papel do professor, no contexto brasileiro, deve ser um
misto de monge e super-homem. Em nossas escolas faltam quase
tudo. O que devemos fazer? Rezar, torcer, contar com a sorte ou
partimos para uma ação política?
Meu conceito sobre formação continuada ainda não
é completo. Não sei dizer se a medida é
solução política pedagógica,
necessidade social ou econômica.
Concordo com Olinda
(1) quando diz: “[...] há algumas décadas,
acreditava-se que, quando terminada a graduação, o
profissional estaria apto para atuar na sua área o resto
da vida. Hoje a realidade é diferente, principalmente para
o profissional docente. Este deve estar consciente de que sua
formação é permanente, e é integrada
no seu dia-a-dia nas escolas. O professor não deve se
abster de estudar, o prazer pelo estudo e a leitura deve ser
evidente, senão não irá conseguir passar
esse gosto para seus alunos “O professor que não
aprende com prazer não ensinará com prazer. “
Snyders. (1990) São grandes os desafios que o profissional
docente enfrenta, mas manter-se atualizado e desenvolver práticas
pedagógicas eficientes, são os principais.”
Nóvoa (2002, p. 23) diz que: “O aprender contínuo
é essencial se concentra em dois pilares: a própria
pessoa, como agente, e a escola, como lugar de crescimento
profissional permanente.” Para esse estudioso português,
a formação continuada se dá de maneira
coletiva e depende da experiência e da reflexão como
instrumentos contínuos de análise.”
Sendo para benefício das classes sociais mais baixa, o
esforço dos educadores valerá, do contrario, só
estaremos contribuindo para maior enriquecimento do topo da
pirâmide.
1) Lisandra Olinda Roberto Neves
2)
(Bianca Justiniano - 27/05/02)
Webgrafia: http://www.universia.com.br
Avaliação do curso DEPROF:
- Resultados das atividades programadas.
- Síntese, em dupla, sobre os saberes necessários
à prática educativa.
- Memorial – aspectos relativos à vida escolar e
a escolha da profissão docente.
- Participação em fóruns no ambiente
virtual.
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