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Biografia:- “Heráclito, filho de
Blóson, ou, segundo outra tradição, de
Heronte, era natural de Éfeso. Tinha uns quarenta anos por
ocasião da 69ª Olimpíada
(504-501 aC). Era homem de sentimentos elevados, orgulhoso e
cheio de desprezo pelos outros”. Em outra passagem, o
mesmo Diógenes nos conta: “Retirado no templo de
Ártemis, divertia-se em jogar com as crianças e,
acercando-se dele os efésios, perguntou-lhes: - De que
vos admirais, perversos? Que é melhor: fazer isso ou
administrar a República convosco? E, por fim, tornado
misantropo e retirando-se, vivia nas montanhas, alimentando-se de
ervas e plantas.” Usando sempre de hipo crisia,
Heráclito ridicularizava o conhecimento dos médicos
e dos físicos de sua época. Sobre as circunstâncias
de como ocorreu a sua morte, Diógenes Laércio assim
nos conta: “Hermipo, porém, conta que ele
(Heráclito) perguntava aos médicos se alguém
podia, esvaziando-lhe o ventre, expelir a água. Como
negassem, deitou-se ao sol e pediu aos criados que o cobrissem
com esterco. Assim deitado, faleceu no dia seguinte e foi
sepultado na praça pública. Neantes de Cizico
afirma que, tendo sido impossível retirá-lo de sob
o esterco, lá permaneceu, e, irreconhecível pela
putrefação, foi devorado pelos cães.”
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Contribuição de
Heráclito:- Os filósofos milesianos (Tales,
Anaximandro,
etc) haviam percebido o dinamismo das mudanças que ocorrem
na physis, como o nascimento, o crescimento e o perecimento, mas
não chegaram a problematizar a questão. Heráclito,
inserido dentro do contexto pré-socrático,
parte do princípio de que tudo é movimento, e que
nada pode permanecer estático. "Panta rhei", sua
"máxima", significa "tudo flui", "tudo
se move". Ele exemplifica, dizendo que não podemos
entrar duas vezes no mesmo rio,
porque, ao entrarmos pela segunda vez, não serão as
mesmas águas que estarão lá, e a pessoa
mesma já será diferente (de fato, a Biologia
veio a descobrir muito mais tarde que nossas células
estão em constante renovação, e isso é
uma mudança).
Mas tal questão é apenas um pressuposto de uma
doutrina que vai mais além. O devir, a mudança que
acontece em todas as coisas é sempre uma alternância
entre contrários: coisas quentes esfriam, coisas frias
esquentam, coisas úmidas secam, coisas secas umedecem,
etc. A realidade acontece, então, não em uma das
alternativas, que são apenas parte da realidade, e sim da
mudança ou, como ele chama, na guerra entre os
opostos. Esta guerra é a realidade, aquilo que podemos
dizer que é. Mas essa guerra da qual fala Heráclito
não tem essa conotação de violência ou
algo semelhante. Tal guerra é que permite a harmonia e
mesmo a paz, já que assim é possível que os
contrários possam existir: "A doença faz da
saúde algo agradável e bom", ou seja, se não
houvesse a doença, não haveria porque valorizar-se
a saúde, por exemplo. Ele ainda considera que, nessa
harmonia, os opostos coincidem da mesma forma que o princípio
e o fim, em um círculo, ou a descida e a subida, em um
caminho (pois o mesmo caminho é de descida e de subida); o
quente é o mesmo que o frio, pois o frio é o quente
quando muda (ou, dito de outra forma: o quente é o frio
depois de mudar, e o frio, o quente depois de mudar, como se
ambos, quente e frio, fossem "versões"
diferentes da mesma coisa).
Inserido no contexto pré-socrático,
Heráclito definiu, partindo de seus pressupostos (o "panta
rhei" e a guerra entre os contrários) uma arché,
um princípio de todas as coisas: o fogo.
Para ele, "todas as coisas são uma troca do fogo, e o
fogo, uma troca de todas as coisas, assim como o ouro
é uma troca de todas as mercadorias e todas as mercadorias
são uma troca do ouro", ou seja, todas as coisas
transformam-se em fogo, e o fogo transforma-se em todas as
coisas. De seus escritos restaram poucos fragmentos, (encontrados
em obras posteriores), os quais geraram grande número de
obras explicativas.
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A cosmologia de Heráclito:- Para
Heráclito, o fogo é o elemento primordial de todas
as coisas. Tudo se origina por rarefação e tudo
flui como um rio. O cosmos é um só e nasce do fogo
e de novo é pelo fogo consumido, em períodos
determinados, em ciclos que se repetem pela eternidade. Em seu
livro - Do Céu, Aristóteles
escreve: “Concordam todos em que o mundo foi gerado; mas,
uma vez gerado, alguns afirmam que é eterno e outros que é
perecível, como qualquer outra coisa que por natureza se
forma. Outros, ainda, que, destruindo-se, alternadamente é
ora assim, ora de outro modo, como Empédocles e Heráclito
de Éfeso. (...) Também Heráclito assevera
que o universo ora se incendeia, ora de novo se compõe do
fogo, segundo determinados períodos de tempo, na passagem
em que diz – Acendendo-se em medidas e apagando-se em
medidas.” Para Heráclito, condensado o fogo se
umidifica, e com mais consistência torna-se água, e
esta, solidificando-se, transforma-se em terra e a partir daí,
nascem todas as coisas do mundo. Este é o caminho que
Heráclito define como sendo “para
baixo”. Derretendo-se a terra obtém-se água.
Água transforma-se em vapor, tal como vemos na evaporação
do mar. E rarefazendo-se o vapor transforma-se novamente em fogo.
E este é o caminho “para cima”. Nosso
mundo é cercado pelos astros (Sol, Lua, e estrelas). Esses
nada mais são do que barcos cujas concavidades estão
voltadas para nós, e que carregam dentro de si chamas
brilhantes. A mais brilhante é a chama do Sol
e também a mais quente. Os demais astros distam mais da
Terra
e é por isso que seu brilho é menos vivo e menos
quente, mas a Lua,
que está bem próxima da Terra, não é
por isso, mas por não se encontrar num espaço puro
– a escuridão. O Sol, entretanto, está em
região clara e pura. Os eclipses do Sol e da Lua
acontecem quando as concavidades dos barcos se voltam para cima.
E as fases da Lua ocorrem quando o barco que a encerra se volta
aos poucos em nossa direção. Dia e noite, meses
e estações, chuvas, ventos e demais fenômenos
são conseqüências de diferentes evaporações.
Pois a brilhante evaporação inflamando-se no
círculo do Sol produz o dia, e quando a contrária
prevalece produz a noite; e quando da evaporação
brilhante nasce o calor faz verão, mas quando da sombra o
úmido prevalece faz-se o inverno.
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O Deus e a alma:- Dentro do
pensamento de Heráclito, Deus
não tinha a aparência de um homem nem de outro
animal qualquer. Deus não era nem criador, nem onipotente.
Heráclito limitava-se a identificá-lo com os
opostos, os quais persistem apesar de suas mudanças e
assim são capazes de compreender sua própria
unidade. “O Deus é dia-noite, inverno-verão,
guerra-paz, saciedade-fome; mas se alterna como o fogo, quando se
mistura a incensos, e se denomina segundo o gosto de cada
um.” Nesse argumento, podemos ver que Heráclito
considerava as diversas divindades da mitologia
grega, que eram adoradas pelos homens de seu tempo, como
sendo apenas fogo misturado a diferentes tipos de incensos. E
a alma consiste apenas de mais uma rarefação do
fogo e sofre as mesmas mudanças que todas as outras coisas
também experimentam; e a morte traz a completa extinção
da alma. “Para almas é morte tornar-se água,
e para água é morte tornar-se terra, e de terra
nasce água, e de água alma.” Novamente
aqui, nesse raciocínio, vemos Heráclito descrever
seus caminhos “para baixo” e “para
cima”.
Webgrafia:- http://pt.wikipedia.org
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