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A Religião pode
ser definida como um conjunto de crenças relacionadas com
aquilo que a humanidade considera como sobrenatural, divino e
sagrado, bem como o conjunto de rituais e códigos morais
que derivam dessas crenças.
Etimologia
Uma
interpretação etimológica é que
Religião deriva do termo da língua latina:
religare = religar, o que poderia significar a tentativa
humana de religar-se: a suas origens, a seu(s) criador(es), a seu
passado. Acabou sendo adotado para designar qualquer conjunto de
crenças, normas e valores que compõem artigo de fé
de determinada pessoa ou conjunto de pessoas.
Outra
interpretação aceita que deriva da
palavra latina religio, mas desconhece-se ao certo
que relações estabelece religio com outros
vocábulos. Aparentemente no mundo latino anterior ao
nascimento do cristianismo, religio referia-se a um estilo
de comportamento marcado pela rigidez e pela precisão.
Palavras
e Conceitos Relevantes
Existem termos que são
ditos/escritos freqüentemente no discurso religioso grego,
romano, judeu e cristão. Entre eles estão: sacro e
seus derivados (sacrar, sagrar, sacralizar, sacramentar,
execrar), profano (profanar) e deus(es). O conceito desses termos
varia bastante conforme a época e a religião de
quem os emprega. Contudo, é possível ressaltar um
mínimo comum à grande parte dos conceitos
atribuídos aos termos.
Os religiosos gregos, romanos, judeus e cristãos
crêem na existência de vários(gregos e
romanos) ou de um único deus (judeus e cristãos),
um ser impassível de ser sentido pelos sensores humanos e
que é capaz de provocar acontecimentos
improváveis/impossíveis que podem favorecer ou
prejudicar os homens. Para os religiosos, as coisas e as ações
se dividem entre sacras e profanas. Sacro é aquilo que
mantém uma ligação/relação com
o(s) deus(es). Profano é aquilo que não mantém
nenhuma ligação com o(s) deus(es). Para alguns
religiosos, "profano" é um termo pejorativo,
para outros não. Já o verbo "profanar"
(tornar algo profano) é sempre tido como uma ação
má pelos religiosos.
Durkheim: O sagrado e o
Profano
A perspectiva Durkheimiana sobre a religião
baseada na oposição entre o sagrado e o profano
provou ser altamente popular e influente entre os sociólogos
contemporâneos. Na óptica de Turner, a ênfase
colocada por Émile Durkheim naquilo que é sagrado
possui um significado de altíssimo valor, já que,
por um lado, elimina a tendência que outrora, cujo enfoque
era colocado em "deuses" e "seres", e por
outro, valoriza a prática religiosa. Na seqüência
das análises realizadas por Durkheim acerca da religião,
os seus discípulos Marcel Mauss (seu sobrinho) e Henri
Hubert também foram discutir o tema do sagrado. De fato,
Hurbert não poderia ser mais explícito ao
interpretar "a religião como a administração
do sagrado". Todavia, o sagrado integra-se numa dicotomia
composta por dois domínios: o sagrado e o profano. O
próprio Durkheim declararia: "A divisão do
mundo em dois domínios, um que engloba tudo o que é
sagrado, o outro tudo o que é profano: é esta a
marca distintiva do pensamento religioso". No entanto, nem
todos os estudiosos concordam com esta interpretação.
a título de exemplo, Jan Gonda, ao analisar a religião
védica, põe em evidência " a ausência
de qualquer distinção entre o profano e o
religioso". Por sua vez, outra sua compatriota, Medeleine
Biardeau salientaria: "É tão difícil na
india isolar uma zona profana do sagrado. Aquilo que designamos
profano só o é do nosso ponto de vista; o indiano
integra-o na sua perpectiva liturgica do Universo". Em
síntese, se é possível o pacífico
aplicar o binómio sagrado/profano a certas religiões,
tal se torna de difícil aplicação a outras
formas de culto religioso. A dicotomia ao ser analisada por
Mircea Eliade no seu livro com o título sugestivo "Le
Sacré et le Profane", merece a seguinte leitura: "
O sagrado e o Profano não são duas ideias
completamente presentes em todas as culturas, uma oposição
pensada por todos os homens O sagrado e o profano têm um
valor ontológico: o Ser é realmente sagrado e
profano. O sagrado revela-se no mundo profano". É
neste contexto que Mircea Eliade alude a uma sacralidade cósmica,
a qual manifesta nas diversas hierofanias que constituem as
religiões.
Embora cada religião apresente elementos
próprios, é também possível
estabelecer uma série de elementos comuns às várias
religiões e que podem permitir uma melhor compreensão
do fenómeno religioso.
Algumas características das
religiões
As religiões possuem grandes
narrativas, que explicam o começo do mundo ou que
legitimam a sua existência. O exemplo mais conhecido é
talvez a narrativa do Gênesis na tradição
judaica e cristã. Quanto à legitimação
da existência e da validade de um sistema religioso, este
costuma apelar a uma revelação ou à obtenção
de uma sabedoria por parte de um fundador, como sucede no
budismo, onde o Buda alcançou a iluminação
enquanto meditava debaixo de uma figueira ou no Islão, em
que Muhammad recebeu a revelação do Alcorão
de Deus.
As religiões tendem igualmente a
sacralizar determinados locais. Os motivos para essa sacralização
são variados, podendo estar relacionados com determinado
evento na história da religião (por exemplo, a
importância do Muro das Lamentações no
judaísmo) ou porque a esses locais são associados
acontecimentos miraculosos (santuários católicos de
Fátima ou de Lourdes). Na antiga religião grega, os
templos não eram locais para a prática religiosa,
mas sim locais onde se acreditava que habitava a divindade, sendo
por isso sagrados.
As religiões estabelecem que certos
períodos temporais são especiais e dedicados a uma
interação com o divino. Esses períodos podem
ser anuais, mensais, semanais ou podem mesmo se desenrolar ao
longo de um dia. Algumas religiões consideram que certos
dias da semana são sagrados (Shabat no judaísmo ou
o Domingo no cristianismo). As religiões propõem
festas ou períodos de jejum e meditação que
se desenvolvem ao longo do ano.
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