Alguns símbolos religiosos

Religião

Religião é coisa de gente tonta ?

“A religião é mais forte porque lida com o nascimento e a morte. O ser humano precisa ter explicações não só sobre como, mas o porquê. Religião não é coisa de gente tonta, mas de gente”

 Mário Sérgio Cortella, filósofo e professor de Ciência da Religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)

A Religião pode ser definida como um conjunto de crenças relacionadas com aquilo que a humanidade considera como sobrenatural, divino e sagrado, bem como o conjunto de rituais e códigos morais que derivam dessas crenças.

Etimologia

Uma interpretação etimológica é que
Religião deriva do termo da língua latina: religare = religar, o que poderia significar a tentativa humana de religar-se: a suas origens, a seu(s) criador(es), a seu passado. Acabou sendo adotado para designar qualquer conjunto de crenças, normas e valores que compõem artigo de fé de determinada pessoa ou conjunto de pessoas.
Outra interpretação aceita que deriva da palavra latina religio, mas desconhece-se ao certo que relações estabelece religio com outros vocábulos. Aparentemente no mundo latino anterior ao nascimento do cristianismo, religio referia-se a um estilo de comportamento marcado pela rigidez e pela precisão.

Palavras e Conceitos Relevantes
Existem termos que são ditos/escritos freqüentemente no discurso religioso grego, romano, judeu e cristão. Entre eles estão: sacro e seus derivados (sacrar, sagrar, sacralizar, sacramentar, execrar), profano (profanar) e deus(es). O conceito desses termos varia bastante conforme a época e a religião de quem os emprega. Contudo, é possível ressaltar um mínimo comum à grande parte dos conceitos atribuídos aos termos.

Os religiosos gregos, romanos, judeus e cristãos crêem na existência de vários(gregos e romanos) ou de um único deus (judeus e cristãos), um ser impassível de ser sentido pelos sensores humanos e que é capaz de provocar acontecimentos improváveis/impossíveis que podem favorecer ou prejudicar os homens. Para os religiosos, as coisas e as ações se dividem entre sacras e profanas. Sacro é aquilo que mantém uma ligação/relação com o(s) deus(es). Profano é aquilo que não mantém nenhuma ligação com o(s) deus(es). Para alguns religiosos, "profano" é um termo pejorativo, para outros não. Já o verbo "profanar" (tornar algo profano) é sempre tido como uma ação má pelos religiosos.

Durkheim: O sagrado e o Profano
A perspectiva Durkheimiana sobre a religião baseada na oposição entre o sagrado e o profano provou ser altamente popular e influente entre os sociólogos contemporâneos. Na óptica de Turner, a ênfase colocada por Émile Durkheim naquilo que é sagrado possui um significado de altíssimo valor, já que, por um lado, elimina a tendência que outrora, cujo enfoque era colocado em "deuses" e "seres", e por outro, valoriza a prática religiosa. Na seqüência das análises realizadas por Durkheim acerca da religião, os seus discípulos Marcel Mauss (seu sobrinho) e Henri Hubert também foram discutir o tema do sagrado. De fato, Hurbert não poderia ser mais explícito ao interpretar "a religião como a administração do sagrado". Todavia, o sagrado integra-se numa dicotomia composta por dois domínios: o sagrado e o profano. O próprio Durkheim declararia: "A divisão do mundo em dois domínios, um que engloba tudo o que é sagrado, o outro tudo o que é profano: é esta a marca distintiva do pensamento religioso". No entanto, nem todos os estudiosos concordam com esta interpretação. a título de exemplo, Jan Gonda, ao analisar a religião védica, põe em evidência " a ausência de qualquer distinção entre o profano e o religioso". Por sua vez, outra sua compatriota, Medeleine Biardeau salientaria: "É tão difícil na india isolar uma zona profana do sagrado. Aquilo que designamos profano só o é do nosso ponto de vista; o indiano integra-o na sua perpectiva liturgica do Universo". Em síntese, se é possível o pacífico aplicar o binómio sagrado/profano a certas religiões, tal se torna de difícil aplicação a outras formas de culto religioso. A dicotomia ao ser analisada por Mircea Eliade no seu livro com o título sugestivo "Le Sacré et le Profane", merece a seguinte leitura: " O sagrado e o Profano não são duas ideias completamente presentes em todas as culturas, uma oposição pensada por todos os homens O sagrado e o profano têm um valor ontológico: o Ser é realmente sagrado e profano. O sagrado revela-se no mundo profano". É neste contexto que Mircea Eliade alude a uma sacralidade cósmica, a qual manifesta nas diversas hierofanias que constituem as religiões.

Embora cada religião apresente elementos próprios, é também possível estabelecer uma série de elementos comuns às várias religiões e que podem permitir uma melhor compreensão do fenómeno religioso.

Algumas características das religiões
As religiões possuem grandes narrativas, que explicam o começo do mundo ou que legitimam a sua existência. O exemplo mais conhecido é talvez a narrativa do Gênesis na tradição judaica e cristã. Quanto à legitimação da existência e da validade de um sistema religioso, este costuma apelar a uma revelação ou à obtenção de uma sabedoria por parte de um fundador, como sucede no budismo, onde o Buda alcançou a iluminação enquanto meditava debaixo de uma figueira ou no Islão, em que Muhammad recebeu a revelação do Alcorão de Deus.

As religiões tendem igualmente a sacralizar determinados locais. Os motivos para essa sacralização são variados, podendo estar relacionados com determinado evento na história da religião (por exemplo, a importância do Muro das Lamentações no judaísmo) ou porque a esses locais são associados acontecimentos miraculosos (santuários católicos de Fátima ou de Lourdes). Na antiga religião grega, os templos não eram locais para a prática religiosa, mas sim locais onde se acreditava que habitava a divindade, sendo por isso sagrados.

As religiões estabelecem que certos períodos temporais são especiais e dedicados a uma interação com o divino. Esses períodos podem ser anuais, mensais, semanais ou podem mesmo se desenrolar ao longo de um dia. Algumas religiões consideram que certos dias da semana são sagrados (Shabat no judaísmo ou o Domingo no cristianismo). As religiões propõem festas ou períodos de jejum e meditação que se desenvolvem ao longo do ano.