Alguns Termos Filosóficos
Silvio Bonilha
Fonte: Wikipedia


A dúvida é um importante preceito cético.

Ceticismo

O ceticismo (ou cepticismo) divide-se em duas correntes:

  • Ceticismo filosófico - uma postura filosófica em que pessoas escolhem examinar de forma crítica se o conhecimento e percepção que possuem são realmente verdadeiros, e se alguém pode ou não dizer se possui o conhecimento absolutamente verdadeiro;

  • Ceticismo científico - uma postura científica e prática, em que alguém questiona a veracidade de uma alegação, e procura prová-la ou desaprová-la usando o método científico.

Ceticismo filosófico

O Ceticismo filosófico originou-se a partir da filosofia grega. Uma de suas primeiras propostas foi feita por Pirro de Elis (360-275 a.C.), que viajou até a Índia e lá estudou, e propôs a adoção do ceticismo "prático" (vide também Pirronismo).

Subseqüentemente, na "Nova Academia", Arcesilaos (315-241 a.C.) e Carneades (213-129 a.C.) desenvolveram mais perspectivas teóricas, que refutavam concepções absolutas de verdade e mentira. Carneades criticou as visões dos Dogmatistas, especialmente os defensores do Estoicismo, alegando que a certeza absoluta do conhecimento é impossível. Sextus Empiricus (d.C. 200), a maior autoridade do ceticismo grego, desenvolveu ainda mais a corrente, incorporando aspectos do empirismo em sua base para afirmar o conhecimento.


Empirismo

Na filosofia, Empirismo é a teoria do conhecimento que tem como base as experiências como formadoras das idéias, discordando, portanto, das teorias racionalistas, baseadas nas idéias inatas.

Na ciência, o empirismo é normalmente utilizado quando falamos no método científico moderno (que é originário do empirismo filosófico), o qual defende que as teorias devem ser baseadas na observação do mundo, em vez da intuição ou fé.

Empirismo na filosofia

A doutrina do empirismo foi definida explicitamente pela primeira vez pelo filósofo inglês John Locke no século XVII. Locke argumentou que a mente seria, originalmente, um "quadro em branco" (tabula rasa), sobre a qual é gravado o conhecimento, cuja base é a sensação. Ou seja, todas as pessoas ao nascer o fazem sem saber de absolutamente nada, sem impressões nenhuma, sem conhecimento algum. Todo o processo do conhecer, do saber e do agir é aprendido pela experiência, pela tentativa e erro.

Historicamente, o empirismo se opõe a escola conhecida como racionalismo, segundo o qual o homem nasceria com certas idéias inatas, a quais iriam "aflorando" à consciência e constituiriam as verdades acerca do Universo. A partir dessas idéias, o homem poderia entender os fenômenos particulares apresentados pelos sentidos. O conhecimento da verdade, portanto, independeria dos sentidos físicos.

Alguns filósofos geralmente associados com o empirismo foram Aristóteles, Tomás de Aquino, Francis Bacon, Thomas Hobbes, John Locke, George Berkeley, David Hume e John Stuart Mill.


Racionalismo

O racionalismo é a corrente filosófica que iniciou com a definição do raciocínio que é a operação mental, discursiva e lógica. Este usa uma ou mais proposições para extrair conclusões se uma ou outra proposição é verdadeira, falsa ou provável. Essa era a idéia central comum ao conjunto de doutrinas conhecidas tradicionalmente como racionalismo.
Segundo René Descartes:

"O racionalismo pode consistir em considerar a razão como essência do real, tanto natural quanto histórico. Sustenta a primazia da razão, da capacidade de pensar, de raciocinar, em relação ao sentimento e à vontade, pressupondo uma hierarquia de valores entre as faculdades psíquicas; ou a posição segundo a qual somente a análise lógica ou a razão pode propiciar desta forma o desenvolvimento da análise científica, do método matemático, que passa a ser considerado como instrumento puramente teórico e dedutivo, que prescinde de dados empíricos, aplicados às ciências físicas que levaram a uma crescente fé na capacidade do intelecto humano para isolar a essência no real e ao surgimento de uma série de sistemas metafísicos fundados na convicção de que a razão constitui o instrumento fundamental para a compreensão do mundo, cuja ordem interna, aliás, teria um caráter racional".

Conforme descrito acima, da obra de Descartes, o conjunto de aptidões em função das quais os indivíduos aprendem mais rapidamente novas informações e se revelam mais eficientes no manejo e aproveitamento adequado de conhecimentos já armazenados por meio de aprendizados anteriores e empíricos, estes podem fazer com que através da análise lógica se descubram processos ou sistemas mais rapidamente pelo método lógico e matemático, ao invés do método empírico, pois o empirismo leva em conta a tentativa e erro, enquanto que o método lógico e a análise crítica levam às respostas necessárias minimizando a necessidade do experimentalismo prático. Esta visão chamada de cartesiana alterou e acelerou as descobertas científicas. O racionalismo dominou e domina até os dias de hoje o método científico de análise lógica.****** O racionalismo cartesiano designa-se por inatista pelo fato de considerar que o indivíduo nasce com idéias inatas que ele designa como sementes de verdade.


Lógica

A lógica é uma ciência de índole matemática e fortemente ligada à Filosofia. Já que o pensamento é a manifestação do conhecimento, e que o conhecimento busca a verdade, é preciso estabelecer algumas regras para que essa meta possa ser atingida. Assim, a lógica é o ramo da filosofia que cuida das regras do bem pensar, ou do pensar correto, sendo, portanto, um instrumento do pensar. A aprendizagem da lógica não constitui um fim em si. Ela só tem sentido enquanto meio de garantir que nosso pensamento proceda corretamente a fim de chegar a conhecimentos verdadeiros. Podemos, então, dizer que a lógica trata dos argumentos, isto é, das conclusões a que chegamos através da apresentação de evidências que a sustentam. O principal organizador da lógica clássica foi Aristóteles, com sua obra chamada Organon. Ele divide a lógica em formal e material.

Um sistema lógico é um conjunto de axiomas e regras de inferência que visam representar formalmente o raciocínio válido . Diferentes sistemas de lógica formal foram construídos ao longo do tempo quer no âmbito estrito da Lógica Teórica, quer em aplicações práticas na computação e em Inteligência artificial.

Tradicionalmente, lógica é também a designação para o estudo de sistemas prescritivos de raciocínio, ou seja, sistemas que definem como se "deveria" realmente pensar para não errar, usando a razão, dedutivamente e indutivamente. A forma como as pessoas realmente raciocinam é estudado noutras áreas, como na psicologia cognitiva.

Como ciência, a lógica define a estrutura de declaração e argumento e elabora fórmulas através das quais estes podem ser codificados. Implícita no estudo da lógica está a compreensão do que gera um bom argumento e de quais os argumentos que são falaciosos.

A lógica filosófica lida com descrições formais da linguagem natural. A maior parte dos filósofos assumem que a maior parte do raciocínio "normal" pode ser capturada pela lógica, desde que se seja capaz de encontrar o método certo para traduzir a linguagem corrente para essa lógica.

Veja também: lista de tópicos em lógica.


Raciocínio

O Raciocínio é uma operação lógica, discursiva e mental. Neste, o intelecto humano utiliza uma ou mais proposições, para concluir através de mecanismos de comparações e abstrações, quais são os dados que levam às respostas verdadeiras, falsas ou prováveis. De premissas chegamos a conclusões.

Foi pelo processo do raciocínio que ocorreu o desenvolvimento do método matemático, este considerado instrumento puramente teórico e dedutivo, que prescinde de dados empíricos.

Através da aplicação do raciocínio, as ciências como um todo evoluíram para uma crescente capacidade do intelecto em alavancar o conhecimento. Este, utilizado para isolar questões e desenvolver métodos e resoluções nas mais diversas questões relacionadas à existência e sobrevivência humana.

O raciocínio, mecanismo de inteligência, gerou a convicção nos humanos de que a razão unida à imaginação, constituem os instrumentos fundamentais para a compreensão do universo, cuja ordem interna, aliás, tem um caráter racional, portanto, segundo alguns este processo é a base do racionalismo.

Logo, resumidamente o raciocínio pode ser considerado também um dos integrantes dos mecanismos dos processos cognitivos superiores da formação de conceitos e da solução de problemas, sendo parte do pensamento.


Axioma

O termo axioma é originário da palavra grega αξιωμα (axioma), que significa algo que é considerado ajustado ou adequado, ou que tem um significado evidente. A palavra axioma vem de αξιοειν (axioein), que significa considerar digno. Esta, por sua vez, vem de αξιος (axios), significando digno. Entre os filósofos gregos antigos, um axioma era uma reivindicação que poderia ser vista como verdadeira sem nenhuma necessidade de prova.

Na epistemologia, um axioma é uma verdade auto-evidente, na qual outros conhecimentos se devem apoiar e a partir da qual outro conhecimento é construído. Contudo, nem todos os epistemologistas concordam que os axiomas, entendidos neste sentido, existam.

A palavra axioma como é usada na Matemática moderna, não é uma proposição auto-evidente. Mais do que isso, simplesmente significa um ponto de partida num sistema lógico. Por exemplo, em alguns anéis, a operação de multiplicação é comutativa, e em alguns não é; tais anéis nos quais é são ditos por satisfazerem o "axioma da comutatividade da multiplicação." Outro termo para axioma é postulado. Um axioma é uma base elementar num sistema formal de lógica que, juntamente com as regras de inferência, definem a lógica.

Por exemplo (conforme dito por Peano), a simples adição aritmética pode ser definida e muitos teoremas provados por assumindo que

  1. um número chamado 0 (zero) existe

  2. cada número X tem um sucessor chamado inc(X)

  3. X+0 = X

  4. inc(X) + Y = X + inc(Y)

Usando esses axiomas, e definindo os nomes habituais 1, 2, 3, e assim por diante como inc(0), inc(inc(0)), inc(inc(inc(0))) respectivamente, podemos mostrar que:

inc(X) = X + 1 e
1 + 2 = 1 + inc(1) Expansão da abreviação (2 = inc(1))
1 + 2 = inc(1) + 1 Axioma 4
1 + 2 = 2 + 1 Abreviação (2 = inc(1))
1 + 2 = 2 + inc(0) Expansão da abreviação (1 = inc(0))
1 + 2 = inc(2) + 0 Axioma 4
1 + 2 = 3 Axioma 3 e uso da abreviação (inc(2) = 3)

Qualquer facto que podemos derivar dos axiomas não é, necessariamente, um axioma. Qualquer coisa que não podemos derivar a partir de axiomas e dos quais não podemos derivar a negação poderia razoavelmente ser adicionado como um axioma.

Provavelmente o mais famoso e mais antigo conjunto de axiomas é os postulados de Euclides. Esses mostraram-se bem incompletos e, na verdade, muitos outros postulados foram necessários para completamente caracterizar a sua geometria (Hilbert usou 23).

4+1 desde o quinto postulado (por um ponto fora de uma recta há exatamente uma paralela) suspeitou-se ser derivado dos primeiros quatro por quase dois milênios. Ultimamente, o quinto postulado foi descoberto ser independente dos primeiros quatro. Certamente, pode-se assumir que nenhuma paralela sobre um ponto fora de uma recta exista, que exactamente uma existe, ou que existem infinitamente muitas. Essas escolhas dão-nos formas diferentes de geometria, nas quais os ângulos internos de um triângulo se adicionam, a menos que, exactamente ou mais que dois ângulos rectos, são respectivamente conhecidas como geometria elíptica, geometria euclidiana e geometria hiperbólica. A teoria da relatividade é essencialmente a afirmação de que massa dá geometria hiperbólica espacial.

O facto de que formas alternativas de geometria possam existir foi um grande problemas para os matemáticos do século XIX e em desenvolvimentos similares, diz a álgebra booleana, existirem geralmente esforços elaborados para derivar o sistema dos sistemas aritméticos normais. Galois mostrou antes de sua morte prematura que esses esforços eram um desperdício mas que grandes paralelos entre sistemas axiomáticos poderiam ser postos em uso desde que eles algebricamente resolvam muitos dos problemas geométricos clássicos. Por último, os paralelos abstratos entre os sistemas algébricos parecem ser mais importantes que os detalhes e a álgebra moderna nasceu.

No século XX, o teorema da incompletude de Gödel mostrou que nenhum grupo de axiomas explícitos (isto é, recursivos) é suficientemente grande para que as matemáticas comuns possam ser tão (1) completas (isto é, cada afirmação pode ser provada ou desmentida) e (2) consistentes (isto é, nenhuma afirmação pode ser tanto provada quanto desmentida).


Epistemologia

Epistemologia ou teoria do conhecimento (do grego"episteme" - ciência, conhecimento; "logos" - discurso), é um ramo da filosofia que trata dos problemas filosóficos relacionados à crença e ao conhecimento.

Podemos dizer que a epistemologia se origina em Platão. Ele opõe a crença ou opinião ("doxa", em grego) ao conhecimento. A crença é um determinado ponto de vista subjetivo. O conhecimento é crença verdadeira e justificada.

A teoria de Platão abrange o conhecimento teórico, o saber que. Tal tipo de conhecimento é o conjunto de todas aquelas informações que descrevem e explicam o mundo natural e social que nos rodeia. Este conhecimento consiste em descrever, explicar e predizer uma realidade, isto é, analisar o que ocorre, determinar por que ocorre dessa forma e utilizar estes conhecimentos para antecipar uma realidade futura.

Há outro tipo de conhecimento, não abrangido pela teoria de Platão. Trata-se do conhecimento prático, o saber como.

A epistemologia também estuda a evidência (entendida não como mero sentimento que temos da verdade do pensamento, mas sim no sentido forense de prova), isto é, os critérios de reconhecimento da verdade.

Ante a questão da possibilidade do conhecimento, o sujeito pode tomar diferentes atitudes:

  • Dogmatismo; atitude filosófica defendida por Descartes segundo a qual podemos adquirir conhecimentos seguros e universais, e ter absoluta certeza disso.

  • Cepticismo; atitude filosófica oposta ao dogmatismo a qual duvida de que seja possível um conhecimento firme e seguro, esta postura foi defendida por Pirro de Elis.

  • Relativismo; atitude filosófica defendida pelos sofistas que nega a existência de uma verdade absoluta e defende a idéia de que cada indivíduo possui sua própria verdade. Esta verdade depende do espaço e o tempo.

  • Perspectivismo; atitude filosófica que defende a existência de uma verdade absoluta, mas pensa que nenhum de nós pode chegar a ela senão que chegamos a uma pequena parte. Cada ser humano tem uma visão da verdade. Esta postura foi defendida por Nietzsche.


Hipótese

Uma hipótese é uma teoria provável mas não demonstrada, uma suposição admissível. Na matemática, é o conjunto de condições para poder iniciar uma demonstração. Surge no pensamento científico após a recolha de dados observados e na consequência da necessidade de explicação dos fenómenos associados a esses dados. É normalmente seguida de experimentação, que pode levar à verificação ou refutação da hipótese. Assim que comprovada, a hipótese passa a se chamar teoria, lei ou postulado.


Postulado

ver axioma


Teoria

Uma hipótese é uma teoria provável mas não demonstrada, uma suposição admissível. Na matemática, é o conjunto de condições para poder iniciar uma demonstração. Surge no pensamento científico após a recolha de dados observados e na consequência da necessidade de explicação dos fenómenos associados a esses dados. É normalmente seguida de experimentação, que pode levar à verificação ou refutação da hipótese. Assim que comprovada, a hipótese passa a se chamar teoria, lei ou postulado.

Equívocos sobre teorias científicas

Muitas vezes as pessoas se confundem sobre a definição de uma teoria. Nossos dicionários trazem o significado que corresponde a uma visão popular de uma teoria, o que seria equivalente a uma hipótese, ou definindo de uma forma ainda melhor, uma especulação. No entanto, na Ciência, uma hipótese não é o mesmo que teoria.

Há também uma confusão quando se quer analisar o grau de confiabilidade que uma teoria apresenta. Muitas pessoas acreditam que uma lei científica possuiria um grau maior de comprovação que uma teoria, mas não é isso que ocorre. Teorias e leis segundo a ciência são conceitos distintos, de natureza diferente, e logo tratam de coisas diferentes. Entre elas não existe nenhum tipo de hierarquia, sendo comum o fato de que muitas teorias de fato explicam leis - de certa forma, sendo as teorias mais abrangentes.

Outra confusão freqüente é o equívoco entre fato e teoria. Teoria é o que explica o fato, e portanto uma teoria deve ser construída a partir de um fato. Não se pode afirmar que uma teoria é um fato. O que acontece é que muitas leis científicas possuem o mesmo nome que teorias. E muitos fatos são referências diretas a essa ou aquela teoria. Um bom exemplo é a teoria da gravidade. Existe também a lei da gravidade, e existe o fato comprovado da atração da matéria. São três coisas diferentes que muitas vezes podem ser interpretadas como uma só - e isso pode acontecer também em relação a várias outras teorias.


Sofisma


Um sofisma (do grego antigo σόϕισμα -ατος, derivado de σοϕίξεσϑαι "fazer raciocínios capciosos") em Filosofia é um raciocínio aparentemente válido, mas inconclusivo, pois é contrário às suas próprias leis. Também são considerados sofismas os raciocínios que partem de premissas verdadeiras ou verossímeis, mas que são concluídos de uma forma inadmissível ou absurda. Por definição, o sofisma tem o objetivo de dissimular uma ilusão de verdade, apresentado-a sob esquemas que parecem seguir as regras da lógica.

Historicamente o termo sofisma, no seu primeiro e mais comum significado, é equivalente ao paralogismo matemático, que é uma demonstração aparentemente rigorosa que, todavia, conduz a um resultado nitidamente absurdo. Atualmente, no uso freqüente e do senso comum, sofisma é qualquer raciocínio caviloso ou falso, mas que se apresenta com coerência e que tem por objetivo induzir outros indivíduos ao erro mediante ações de má-fé.

Para ilustrar, mostramos a seguir um exemplo de sofisma bastante conhecido: O problema de Deus e da Pedra.

"Deus, o todo poderoso, foi desafiado a criar uma pedra tão pesada que nem ele pudesse carregar. Ele aceitou o desafio, mas logo percebeu que se criasse essa pedra estaria impossibilitado de levá-la, deixando de ser todo poderoso. Por outro lado, se não fosse capaz de criar tal pedra deixaria de ser todo poderoso também."

Origens

A designação de sofista, do grego antigo σοφιστής (sofistês), substantivação da forma adjectiva e verbal que remete a sofía e a sófos, utilizada para identificar aquele grupo de pensadores,filósofos e letrados da sofística helénica, recolhe em si o polissemantismo bem significativo de uma diversa apreciação dos sofistas. Por um lado, é neste sentido típico e dominantemente pejorativo, caracterizado por Platão como um impostor, caçador interessado em jovens ricos, comerciante didáctico e atleta em combate verbalístico ou erístico, purificador de opiniões, mas também malabarista de argumentos, mais verosímeis do que verdadeiros, mais sedutores do que plausíveis. O sofista é, neste sentido, menos o filósofo como amigo ou amante do saber do que o «sábio» na acepção não pedagógica de uma descoberta da verdade, mas segundo o modelo da transmissão de um ensinamento e, por conseguinte, segundo a forma tradicional de uma didáskalos, ou seja, de uma didáctica. Para o paradigmático entendimento que Platão faz dos sofistas, tal transmissão dos ensinamentos reduz-se a comércio interesseiro de saberes mnemotécnicos, retóricos e sempre relativos.

As palavras sofista, sofística[1] (do grego antigo: σοφιστής, σοφιστικός; derivada σοφός - "sábio", "instruído"), assumem diferentes significados ao longo da história da filosofia, que merecem ser distinguidos:

  1. Chama-se sofista ou sofístico, um conjunto de pensadores, oradores e professores gregos do século V a.C. (e do início do século seguinte).

  2. Em Platão, seguido da maior parte dos filósofos até aos nossos dias, uma perversão voluntária do raciocínio demonstrativo para fins geralmente imorais.

  3. O desenvolvimento da reflexão e o ensino da retórica, em princípio a partir do século I d.C., na prática a partir do século II, no Império romano.

Sofística era originalmente o termo dado às técnicas ensinadas por um grupo altamente respeitado de professores retóricos na Grécia antiga. O uso moderno da palavra, sugestionando um argumento inválido composto de raciocínio especioso, não é necessariamente o representante das convicções do sofistas originais, a não ser daquele que geralmente ensinaram retórica. Os sofistas só são conhecidos hoje pelas escritas de seus oponentes (mais especificamente, Platão e Aristóteles) que dificulta formular uma visão completa das convicções dos sofistas.

Os sofistas são os primeiros a romperem com a busca pré-socrática por uma unidade originária (a physis) iniciada com Tales de Mileto e finalizada em Demócrito de Abdera (que embora tenha falecido pouco tempo depois de Sócrates, tem seu pensamento inserido dentro da filosofia pré-socrática).

A principal doutrina sofística consiste, em uma visão relativa de mundo (o que os contrapõe a Sócrates que, sem negar a existência de coisas relativas buscava verdades universais e necessárias). A principal doutrina sofística pode ser expressa pela máxima de Protágoras: "O homem é a medida de todas as coisas".

Tal máxima expressa o sentido de que não é o ser humano quem tem de se moldar a padrões externos a si, que sejam impostos por qualquer coisa que não seja o próprio ser humano, e sim o próprio ser humano deve moldar-se segundo a sua liberdade.

Outro sofista famoso foi Górgias de Leontini, que afirmava que o 'ser' não existia. Segundo Górgias, mesmo que se admitisse que o 'ser' exista, é impossível captá-lo. Mesmo que isso fosse possível, não seria possível enunciá-lo de modo verdadeiro e, portanto, seria sempre impossível qualquer conhecimento sobre o 'ser'.

Estas visões contrastantes com a de Sócrates (que foi adotada também por Platão e Aristóteles, bem como sua "luta" anti-sofista) somada ao fato de serem estrangeiros - o que lhes conferia um menor grau de credibilidade entre os atenienses - contribuiu para que seu pensamento fosse subvalorizado até tempos recentes.

Moral, Direito, Religião

A sofística sustenta o relativismo prático, destruidor da moral. Como é verdadeiro o que tal ao sentido, assim é bem o que satisfaz ao sentimento, ao impulso, à paixão de cada um em cada momento. Ao sensualismo, ao empirismo gnosiológicos correspondem o hedonismo e o utilitarismo ético: o único bem é o prazer, a única regra de conduta é o interesse particular. Górgias declara plena indiferença para com todo moralismo: ensina ele a seus discípulos unicamente a arte de vencer os adversários; que a causa seja justa ou não, não lhe interessa. A moral, portanto, - como norma universal de conduta - é concebida pelos sofistas não como lei racional do agir humano, isto é, como a lei que potencia profundamente a natureza humana, mas como um empecilho que incomoda o homem. Desta maneira, os sofistas estabelecem uma oposição especial entre natureza e lei, quer política, quer moral, considerando a lei como fruto arbitrário, interessado, mortificador, uma pura convenção, e entendendo por natureza, não a natureza humana racional, mas a natureza humana sensível, animal, instintiva. E tentam criticar a vaidade desta lei, na verdade tão mutável conforme os tempos e os lugares, bem como a sua utilidade comumente celebrada: não é verdade - dizem - que a submissão à lei torne os homens felizes, pois grandes malvados, mediante graves crimes, têm freqüentemente conseguido grande êxito no mundo e, aliás, a experiência ensina que para triunfar no mundo, não é mister justiça e retidão, mas prudência e habilidade. Então a realização da humanidade perfeita, segundo o ideal dos sofistas, não está na ação ética e ascética, no domínio de si mesmo, na justiça para com os outros, mas no engrandecimento ilimitado da própria personalidade, no prazer e no domínio violento dos homens. Esse domínio violento é necessário para possuir e gozar os bens terrenos, visto estes bens serem limitados e ambicionados por outros homens. É esta, aliás, a única forma de vida social possível num mundo em que estão em jogo unicamente forças brutas, materiais. Seria, portanto, um prejuízo a igualdade moral entre os fortes e os fracos, pois a verdadeira justiça conforme a natureza material, exige que o forte, o poderoso, oprima o fraco em seu proveito. Quanto ao direito e à religião, a posição da sofística é extremista também, naturalmente, como na gnosiologia e na moral. A sofística move uma justa crítica, contra o direito positivo, muitas vezes arbitrário, contingente, tirânico, em nome do direito natural. Mas este direito natural - bem como a moral natural - segundo os sofistas, não é o direito fundado sobre a natureza racional do homem, e sim sobre a sua natureza animal, instintiva, passional. Então, o direito natural é o direito do mais poderoso, pois em uma sociedade em que estão em jogo apenas forças brutas, a força e a violência podem ser o único elemento organizador, o único sistema jurídico admissível. A respeito da religião e da divindade, os sofistas não só trilham a mesma senda dos filósofos racionalistas gregos do período precedente e posterior, mas - de harmonia com o ceticismo deles - chegam até o extremo, até o ateísmo, pelo menos praticamente. Os sofistas, pois, servem-se da injustiça e do muito mal que existe no mundo, para negar que o mundo seja governado por uma providência divina.

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REFLEXÃO:

Normalmente as reflexões psicológicas são efectuadas elas pessoas que "pensam", "questionam" o que as rodeia. A reflexão psicológica é muitas vezes utilizada na Filosofia. Refletir é pensar, abordar um tema, que por vezes, nos intriga.

Compreensão: Como se pode observar na imagem da estátua "O pensador" de Auguste Rodin onde a posição corporal interpretada na estátua, é uma das posições usadas normalmente pelo ser humano quando esta em fase de reflexão.